Edição de Março

O mar que virou sertão

PALMAS

Capital do calor e da água…

Em meio à exuberante paisagem do cerrado, uma cidade planejada, com parques urbanos, praças imensas e áreas verdes estrategicamente projetadas. Para completar, Palmas está inserida entre um serra belíssima de um lado, e um imenso lago, do outro. Este, é o cenário que as pessoas que visitam a capital do Tocantins, encontram. É muito difícil resistir aos atrativos turísticos – especialmente os que têm água – já que é a melhor opção em uma cidade com altas temperaturas o ano inteiro.

Praias de água doce

No imenso lago (de 630 km2) formado pela construção da Usina Hidrelétrica Luis Eduardo Magalhães, com 8 Km de largura, podem são praticados diversos esportes náuticos. Somente na Capital, são 54 km de espelho d’água, que abrigam, o ano inteiro, ótimas praias de águas doces. As praias da Graciosa, do Prata, do Caju, dos Buritis, das Arnos e a Ilha Canela são praias permanentes, que contam com infraestrutura e barracas, onde o turista pode desfrutar de opções como o tradicional tucunaré frito ou assado; além de apreciar umas das características mais marcantes da cidade: o pôr do sol incomparável, capaz de emocionar.
Segundo o IBGE, Palmas é a 5ª cidade que mais cresceu no País, nos últimos anos.

A partir de Palmas, cerca de 195 km de estradas asfaltadas levam até Ponte Alta do Tocantins, a principal porta de entrada para o Jalapão. Para chegar à cidade, é necessário seguir pela TO-050 até Porto Nacional e de lá, pela TO-255 até Ponte Alta de Tocantins. Daí em diante, só estradas de terra.

Antigamente, viajar para o Jalapão, na divisa entre os estados da Bahia, Maranhão e Piauí, era uma saga. Apenas os tropeiros encaravam o desafio de atravessar a região, numa verdadeira peregrinação sertão bravio adentro, em direção ao Vale do Rio Tocantins. Dizem os historiadores que há cerca de 350 milhões de anos, o Jalapão era um grande mar, devido a vestígios de fauna e flora marinha, sedimentados ao longo do tempo. Até a virada do milênio, os únicos forasteiros que se aventuravam pelo Jalapão eram jipeiros, o turismo mais comercial começou a tomar forma apenas em 2001, quando a Korubo Expedições montou seu acampamento e adaptou um caminhão para transportar grupos. Mesmo assim, o número de visitantes ainda é muito pequeno, não alterando, em nada, a densidade demográfica da região. Hotéis também não há, a não ser algumas poucas pousadas em um ou outro vilarejo.

Ponte Alta do Tocantins, porta de entrada

Criado em janeiro de 2001, o Jalapão ocupa uma área de 34 mil km² (para comparar: Sergipe tem 22 mil km²) no centro-leste do Tocantins, fazendo fronteira com Bahia, Piauí e Maranhão. A Reserva envolve oito municípios, sendo os principais Mateiros e a cidadezinha de Ponte Alta do Tocantins, principal porta de entrada da região, a 190 km da capital, Palmas, por estrada asfaltada. Dali em diante, só estradas de terra. Itinerários circulares usam a cidade de Novo Acordo, a 110 km de Palmas (também por asfalto) para entrar ou sair.

Uma das regiões mais belas do Brasil

Pouco conhecido e selvagem, o Parque Estadual do Jalapão, um dos mais recentes destinos de natureza do Brasil, é afastado e de difícil acesso. Apesar da sensação de recolhimento (talvez aí resida o charme) e do clima de deserto, a região está entre as mais bonitas do país graças à exuberância e cores que emanam de uma natureza primitiva. No meio do cerrado é possível avistar lobos-guarás e veados-mateiros, enquanto longínquas estradas de chão conduzem a verdadeiros oásis cercados por cachoeiras, como a Cachoeira da Fumaça, além de poços de águas verde-esmeralda e dunas extraordinárias. O isolamento, reforçado pela falta de comunicação, já que celulares por ali não pegam e não há orelhões, provoca o contato exclusivo com natureza. A dificuldade de acesso tem sido a grande responsável pela preservação deste santuário. Por conta das grandes distâncias e poucas opções de hospedagem e alimentação, agências de viagens oferecem roteiros para conhecer o Jalapão. Contratar uma delas, é o mais indicado.

Programas imperdíveis

Podemos eleger como prioridades no Jalapão, tomar banho em um dos inúmeros ‘fervedouros’ e assistir ao pôr do sol nas dunas, e aqui cabe um parênteses: a explicação da existência das dunas no meio do cerrado deve-se ao processo de erosão e sedimentação das rochas areníticas da Serra do Espírito Santo, situada bem à frente delas. Há cerca de 350 milhões de anos, o Jalapão já foi um grande mar, o que justifica o solo arenoso da região e a formação das serras retas que dominam a paisagem. Visitar a Cachoeira da Velha, o artesanato de capim-dourado na comunidade quilombola Mumbuca e nadar na incrível cachoeira da Formiga também são programas imperdíveis. Se tiver mais um tempinho, vale a pena fazer a trilha da Serra do Espírito Santo para assistir ao nascer do sol, o rafting no Rio Novo, curtir a cachoeira do Rio Sono e tomar um banho no Rio Soninho, conhecer o cânion do Sussuapara, a Cachoeira do Formiga e a Pedra Furada.

Mateiros: ecoturismo e artesanato

O maior número de atrativos está em torno do povoado de Mateiros, a 160 km de Ponte Alta (ou 240 km de Novo Acordo). Os povoados de Ponte Alta e São Félix do Tocantins (a 90 km de Mateiros e 150 km de Novo Acordo) também servem como base para visitar outros atrativos. A região é considerada a principal atração turística de Tocantins, onde a produção de artesanato feito com o capim dourado, além da seda de buriti, tornou-se principal fonte de renda para as comunidades locais, e vem sendo alvo de estudos e ações para garantir seu uso sustentável, ecológica e economicamente.

Atrativos naturais

Localizada a 310 km de Palmas, Mateiros é repleta de belezas naturais da região do Jalapão. Esta cidade é um dos melhores destinos do Brasil para a prática do turismo de aventura. O nome “Mateiros” deve-se ao grande número de veados da espécie mateiro que existem na região. A cidade é dos maiores produtores de soja do Tocantins. O grão é cultivado na Serra Geral, divisa com o Maranhão, Piauí e Bahia. Antigamente, o vilarejo não possuía energia elétrica e não tinha nenhuma infraestrutura, como se fosse um lado esquecido do extremo sudeste do Tocantins. Quando Mateiros foi descoberta, em razão ao seu ecoturismo, virou um centro de expedição do IBAMA. A partir deste momento, foi criada a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e o Parque Estadual do Jalapão. Na região estão alguns atrativos naturais importantes, como a cachoeira do Formiga, a cachoeira da Velha, o Fervedouro, as dunas do Jalapão, além da Serra da Muriçoca e a Pedra da Baliza.

Capim dourado

Na cidade de Mateiros também existe uma comunidade chamada Mumbuca, que ficou conhecida por seu artesanato feito com capim dourado – hoje, uma referência – que passou a ser vendido em todo o país e em alguns lugares no exterior. Localizada na zona rural do município, a comunidade, remanescente de quilombo, faz inúmeras peças com esta matéria-prima. Visitar Mateiros é uma oportunidade de se deparar com cenários cinematográficos, passeando por lugares como as trilhas e mirantes da Serra do Espírito Santo, além das inigualáveis dunas em tons dourados e alaranjados, tentar afundar, sem sucesso, nos vários fervedouros.

QUANDO A NATUREZA VIRA ARTE

Os incríveis fervedouros do Jalapão

Os ‘fervedouros’ são piscinas naturais que não deixam as pessoas afundarem. Apesar do nome, possuem água termal, nem quente e nem gelada, com uma temperatura confortável e ideal para não querer sair. O bom é que não precisa saber nadar, já que a gente não afunda. O motivo de ser praticamente impossível afundar, por mais que os visitantes tentem, é a existência de uma rocha impermeável logo abaixo, que não oferece vazão para o lençol freático, ou seja, quando a água nasce, a pressão é tão grande que empurra a areia para cima. Estima-se que haja, no Jalapão, em torno de 80 fervedouros, sendo que apenas dez deles são explorados turisticamente, com um número limitado de pessoas por vez, de seis a dez, a depender do local. A medida visa não só preservar o ecossistema, mas também porque o fervedouro é pequeno, localizado entre veredas e cercado por bananeiras e buritis. Assim, para evitar filas ou mesmo para curtir o atrativo com mais privacidade, o melhor horário para ir é de manhã bem cedo ou no final da tarde. É interessante visitar mais de um fervedouro para comparar a densidade da areia e a intensidade da nascente. Com a temperatura da água amena, a sensação de mergulhar torna-se única. É como flutuar em uma nuvem de areia solta.

Os vários formatos da enigmática Cachoeira da Velha

Uma das grandes atrações do Jalapão, a Cachoeira da Velha, com cerca de 20m de queda e 100m de largura, é alimentada pelas águas do Rio Novo, formando duas quedas em semicírculos que lembram uma ferradura. Visto de cima, e conforme o ângulo, o formato parece com o mapa do Brasil, e mesmo na época da estiagem, que vai de maio a setembro, o Rio Novo preserva grande volume de águas cristalinas, mas revoltas, por isso mesmo o banho não é permitido. O local dispõe de uma passarela e um mirante de onde é possível contemplar a cachoeira, a mata ao redor e, com sorte, um pouco da fauna local.

Lenda da Velha

Diz a lenda, que a cachoeira recebeu esse nome devido a uma mulher que vivia nas redondezas da cachoeira. Ela amava tanto aquele lugar, que passava várias horas sentada nas pedras observando suas quedas, admirando aquele espetáculo da natureza. Segundo contam, depois que ela morreu, seu espírito permanece até hoje no lugar. Bem próximo da cachoeira fica a Prainha, com águas calmas e areias finas. Para quem vai por conta própria, o melhor é partir de Mateiros, com acesso pela estrada para a Fazenda Triagro (122 km de terra). O conjunto tem fácil acesso, sendo possível acampar nas praias formadas nas margens acima da queda.

QUEM LEVA

Várias são as empresas que oferecem pacotes para o Jalapão. Dentre as muitas, citamos algumas.

ADVENTURE CLUB – Especializada em viagens de Ecoturismo com roteiros personalizados para clientes que apreciam o encontro com a natureza. Atua no Brasil e outros países. Tel.: +55 (11) 5573.4142 | adventureclub@adventureclub.com.br/ www.adventureclub.com.br

CIA ECO – Especializada na consultoria de viagens e grandes experiências no Brasil e exterior. Tel.: + 55 (11) 5571.2525 | www.ciaeco.tur.br/ comercial@ciaeco.tur.br

CVC TURISMO – Televendas + 55 (11) 3003-9282/ www.cvc.com.br

VENTURAS VIAGENS E TURISMO – Tel.: +55 (11) 3879-9494 | www.venturas.com.br /atendimento@venturas.com.br

KORUBO EXPEDIÇÕES – Oferece íntimo contato com a natureza sem abrir mão do conforto. É inspirada nos Safaris Camps africanos, que aliam conforto e vida selvagem no mesmo pacote. | Tel.: +55 (11) 4063-1502 | www.korubo.com.br/ korubo@korubo.com.br

LIVRE EXPEDIÇÕES – Serviço personalizado que atende às necessidades dos clientes desenvolvendo ações que respeitam o meio ambiente, como soluções, dentre outras, para poupar água. Tel.: +55 (63) 3225-0839/ +55 (63) 99283-9207 (Whats App)/ www.livre-expedicoes.com

Korubo Expedições
Tel.: +55 (11) 4063-1502
www.safarinojalapao.com.br | www.korubo.com.br | korubo@korubo.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *